8 Minutos de Brasil / Encerramento das Olimpíadas de Londres 2012

Postado por: em ago 15, 2012 | 10 comentários

 

Cao Hamburguer e Daniela Thomas apresentam o Brasil para o mundo em 8 minutos. Exibido pela rede Record no dia 12 de Agosto.

 

Se você fosse falar do Brasil para um público tão grande como esse, qual seria seu discurso? Na hora de fazer escolhas, quem você deixaria de fora?

 

+ Sobre a apresentação acima…

Equipe:
Cao Hamburguer – Diretor Artístico
Daniela Thomas – Diretora Artística
Abel Gomes – Supervisão de Criação
Marco Balich – Produtor Executivo

Créditos Adicionais:
Beto Villares – Produção Musical
Jum Nakao – Produção de Figurino
Susana Yamauchi e Renata Vieitas – Coreografia
Lida Castelli – Consultora Artistica

A música tema das Olímpiadas do Rio de Janeiro (Brasil)

A música tema das Olímpiadas do Rio de Janeiro (Brasil)

Postado por: em ago 15, 2012 | 6 comentários

O samba produzido por Kassin (Los Hermanos, Vanessa da Matta) mostra aquele Brasil carioca que nós conhecemos. Uma novidade; os deuses do Olimpo visitam o Rio e acabam fazendo o que? Dançando e tomando uma, é claro! Viva o clichê.

Renata Pallottini

Renata Pallottini

Postado por: em ago 13, 2012 | 2 comentários

Nascida em São Paulo, em 28 de março de 1931. Poeta, ensaísta, teatróloga, professora universitária, redatora de TV e jrnalista. Em 2011,conversou com Antonio Abujamra sobre o que é a vida, a modéstia, sobre arrependimento e religião.  Depois disso, leiam seu impressionante “O Grito”. Boa viagem!

 

 

O GRITO

se ao menos esta dor servisse
se ela batesse nas paredes
abrisse portas
falasse
se ela cantasse e despenteasse os cabelos

se ao menos esta dor se visse
se ela saltasse fora da garganta como um grito
caísse da janela fizesse barulho
morresse

se a dor fosse um pedaço de pão duro
que a gente pudesse engolir com força
depois cuspir a saliva fora
sujar a rua os carros o espaço o outro
esse outro escuro que passa indiferente
e que não sofre tem o direito de não sofrer

se a dor fosse só a carne do dedo
que se esfrega na parede de pedra
para doer doer doer visível
doer penalizante
doer com lágrimas

se ao menos esta dor sangrasse

(Renata Pallottini, Antologia Poética. Rio de Janeiro: Leitura, 1969)

Edvard Munch / O Grito

Chão

Postado por: em ago 12, 2012 | 1 comentário

Entrando no clima do novo disco do Palavrantiga . Volto ao Nossa Brasilidade para apresentar uma seleção de músicas com a temática “Chão”.Palavra que inspirou muitos artistas do funk carioca ao rock brazuka.

Vamos ouvir o Chão de Samuel Rosa e Chico Amaral, interpretado pela banda mineira Skank.

Chão que desliza
Noites de ilusões à deriva
Groove hey negrita
Teu prazer me cai na saliva

Céu que convida
Onde o som bater
eu me encaixo
Groove na medida
Eu te espero em cima
ou embaixo
Não, não vacila
Vem aqui mostrar sua arte
Groove na medida
Teu prazer é meu o estandarte

Dentro da noite do mundo
Vamos brindar à solidão
E acordar nas tábuas
desse chão

( Samuel Rosa / Chico Amaral )

 

Ouça agora Lenine e o “Chão” construído com seu parceiro Lula Queiroga.

 

Chão chega perto do céu
Quando você levanta a cabeça e tira o chapéu
Chão cabe na minha mão
O pequeno latifúndio do seu coração
Chão quando quer descer
Faz uma ladeira
Chão quando quer crescer
Vira cordilheira

Chão segue debaixo do mar
O assoalho do planeta e do terceiro andar
Chão onde a vista alcançar
Todo e qualquer caminho pra percorrer e chegar
Chão quando quer sumir se esconde em um buraco
Chão se quer sacudir
Vira um terremoto

O chão quando foge dos pés
Tudo perde a gravidade
Então ficaremos só nós
A um palmo do chão da cidade

 

(Lenine / Lula Queiroga)

 

Nosso querido Carlinhos Veiga apresenta agora a música “Cascos no Chão” . Você pode ouvir aqui.


 

Eiah! Os cascos no chão de Goiás

E,ê, boiadeiro onde vais

Sem medo, sem onde pisar

Eiah! Chicote e rifle no ar

Boiada é fácil de levar

Berrante é pra quando estourar

Sei dos caminhos que levam, dos rios

Sei dessas estradas velhas, das pontes e mais

Sei dos olhos da gente, tesouros

Guardados no chão goiano que piso e vou

Vou e sei quando voltar

Sem me perder, sei de mim

Sei da paz, mas sei lutar

Ora, eu sei da liberdade e fim

Eiah! E toca a boiada pra frente

Que atrás dessa Estrada vem gente

Estrada é pra gente pisar

Eiah! E leva a boiada contente

Sem medo de sorte e de gente

Que gente é pra se respeitar

(Gustavo Veiga e Carlos Brandão)

Painel: a mente cristã brasileira e a grande mídia.

Postado por: em jun 19, 2012 | 42 comentários

Observando a pesquisa [“como você avalia a aproximação entre a rede Globo e os evangélicos?] vejo surgir outras dúvidas. Vejo o maniqueísta cuja visão de mundo está dividida entre bons e maus e tudo não passa de um jogo de sedução. Vejo os calvinistas acreditando que Deus está no controle e se utiliza das coisas más e boas para cumprir seu propósito. Mas a maioria absoluta das respostas tende para o materialismo, que desconsidera a força divina, ou essas entidades espirituais dividias entre boas e más; tudo não passaria, portanto, de dinheiro e poder.

Como disse uma leitora essa pesquisa dá um estudo sobre a mente cristã brasileira e a mídia do século XXI (Jakeline Nunes). Pelo menos sobre a mente daqueles que seguem o Palavrantiga e o meu perfil no twitter, sim!

A mídia seria um meio e um meio muito sujo, por isso, o Deus do Evangelho não se utilizaria dele para justificar seus fins. É o que consegui ler a partir do primeiro comentário de Wanderlan.O mesmo me corrigiu dizendo que suas “críticas se dirigiram, evidentemente, às ideias, valores e princípios hegemônicos de nosso mundo e evangelicalismo, não das coisas e pessoas em si”. Insisto que tudo aqui é uma leitura pessoal a respeito do que foi comentado. Ao meu ver,  a soberania divina aqui aparece como um item teológico apenas, quase como um assunto a ser tratado pelos artistas: “A tal música evangélica já não representa a soberania divina há muito tempo” (Marlos Ferreira).  Outro: “A soberania de Deus se mostra quando pessoas conhecem a verdade através da Globo, mas isto não significa que Deus “abriu uma porta na Globo”. Foram os homens, motivados por seus interesses mundanos, que levaram o “gospel” para lá. Não posso crer que Deus queira que a Globo ganhe dinheiro às custas do Reino!”  (Priscila). [Veja a réplica de todos nos comentários abaixo].

 

No meio de tantas opiniões que confirmam o materialismo como explicação válida para esse momento, surge um ou outro falando que na verdade Deus está se utilizando disso para implantar seu Reino: “ [existe] um reino apenas: Deus soberano movendo seu reino para dentro da mídia. Eu quero é que as trevas se explodam e vire luz, seja de que maneira for”! É o que pensa o Sérgio. Quem parece concordar com ele é o Lucivan Pinho:  “Não importa a intenção deles, devemos ver como uma grande oportunidade de levar o evangelho aos que não o conhece. Jesus se assentou com cobradores de impostos adúlteros e prostitutas!”. De qualquer forma a imagem que se tem da mídia é bem feia e se relaciona ao pecado, ao que é mal. Eis outro exemplo: “em minha concepção, mesmo que o objetivo inicial, pensado e arquitetado pela Globo seja puramente lucro, se o objetivo dos cantores e bandas forem a verdadeira adoração, Deus usará esse meio de comunicação para o engrandecimento de sua glória. Deus usa o que Ele quer. Ele usou a burra de Balaão, pode muito bem usar a TV…”  (Eva Caroline). Na visão desse grupo, a mídia seria a Mula de Balaão, a prostituta, o cobrador de impostos ou o adúltero? [minha opnião não trabalha com essas categorias, mas vale a pena continuar lendo esse artigo para entender como pensam alguns leitores]

 

 

O relativista aparece aqui com uma explicação  mais antropológica: “Acho que para além de ser uma questão econômica, é uma questão cultural. Os evangélicos estão crescendo em número, e isso trouxe para eles mais visibilidade e, consequentemente, mais abertura, com todas as implicações que isso traz, inclusive econômicas, mercadológicas ou mesmo missionárias. Dependendo do ponto que se olha, e para quem se olha, tudo pode ser explicado.” (Jenifer de Oliveira).

 

Na centena de opiniões surge a Cláudia com um ponto de vista interessante. De certa forma ela apresenta a coisa do nicho. Não existe um caldeirão onde todos se encontram e se misturam, mas a ideia de cotas, de grades. “É o mesmo que pegar uma caixa e jogar o povo evangélico todo dentro e fechar, impedindo qualquer envolvimento com a cultura e as pessoas “seculares”. Para mim, esse não é o caminho. Chamem de conquista de um espaço na mídia, eu chamo de mais uma ferramenta de distanciamento dos cristãos do resto do mundo – não, não acho isso certo.”

 

 

É justo tirar dessas opiniões um painel que apresenta melhor a teologia de cada um, a forma de enxergar o mundo e como é o seu Deus. Para alguns é a eterna luta entre o bem e o mal – e se o cara for pessimista vai dizer que o mal [rede Globo] está vencendo. A gente pode tomar emprestado o termo “calvinista” para designar o sujeito que enxerga a coisa como um movimento governado pelo Deus soberano; no final tudo coopera para que o Seu desejo seja estabelecido. Perto desses dois podemos ver chegar o relativista dizendo “tudo depende do ponto que se olha e pra quem se olha”, um outro ali também aparece bem apegado a síndrome do vira-lata que Nelson Rodrigues tanto falava (aquela coisa do brasileiro sentir vergonha de quem faz sucesso) , mas, o curioso é notar que grande parte dos crentes (que opinaram aqui) ao falar sobre assuntos econômicos e artísticos desconsideram qualquer atuação espiritual ou de governança divina – Deus estaria fora ou parado em algum lugar desaprovando ou concordando com as coisas que fazemos. Não vivemos num tempo carente de uma boa teologia (ou cosmovisão) que ajude a explicar melhor a vida?

 

 

Marcos Almeida