SALTANDO OBSTÁCULOS E DESABOTOANDO TRILHAS.

SALTANDO OBSTÁCULOS E DESABOTOANDO TRILHAS.

Postado por: em set 11, 2012 | 50 comentários

 

A confissão mais clara, aquilo que me motiva nesses últimos anos, é um grito: a comunidade de artistas cristãos é digna de receber a cidadania brasileira! Mais merecedores são aqueles que a buscam amparados na força de seu gênio artístico e

A inutilidade da literatura – Menalton Braff

Postado por: em set 10, 2012 | 3 comentários

 

Via Carta Capital. Crônica de Menalton Braff.

A palestra era para um público heterogêneo e o assunto era a linguagem literária. A certa altura, querendo exemplificar (o que sempre dá uma melhorada nos conceitos mais abstratos), parodiei um poema:

“Certa mulher declara que nem se deu conta do envelhecimento e está perplexa por não se reconhecer, como conseqüência das mudanças causadas pela passagem do tempo.”

Em seguida li, da Cecília Meireles,

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,

assim calmo, assim triste, assim magro,

nem estes olhos tão vazios

nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,

tão paradas e frias e mortas;

eu não tinha este coração

que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,

tão simples, tão certa, tão fácil:

– Em que espelho ficou perdida

a minha face?

Ao perguntar qual dois textos o público preferia, percebi algum constrangimento na plateia. As pessoas se remexiam na cadeira, olhavam-se de viés, mas ninguém ousava qualquer manifestação. Tive de insistir, muito vitorioso lá do alto do palco, para que alguém propusesse uma resposta. Finalmente, uma senhora um tanto idosa ousou levantar-se, sabe-se lá o tamanho de seu esforço, e a ouvi dizer que preferia o primeiro, porque era mais direto, mais claro e ela o entendia melhor. Minhas mãos gelaram suadas e percebi que a maioria das pessoas começou a olhar para os próprios pés. Felizmente ninguém me encarou com olhar zombeteiro.

Confesso que passei alguns segundos na angústia de não ter o que responder, atordoado com a surpresa. O inesperado sempre nos desmonta um pouco. E eu, no momento, estava não só desmontado, mas inteiramente destroçado.

Acho que depois de esvaziar o copo de água quase gelada e enxugar o suor da testa com as costas da mão (hoje não se usam mais os lenços de antigamente?) consegui articular algumas frases à guisa de argumentação, que deve ter seguido mais ou menos o raciocínio abaixo.

Duas considerações: A mulher, do primeiro texto, não existe, era uma invenção minha. Portanto, a informação não informa nada. Não é isso que se busca na literatura. O primeiro texto está escrito em linguagem de domínio social, comum a todos, por isso o entendimento imediato, mas não tem nada de original, não tem marca nenhuma de autoria. Não existe qualquer esforço na sua organização: uma linguagem automatizada. O segundo texto explora toda a virtualidade das palavras: a sonoridade, as combinações inusitadas, a interação entre elas que as potencializa. O segundo texto, por seus arranjos e combinações, pelo eco, pela delicadeza no modo de falar de sentimentos mais concretos, por tudo isso, é um texto que não serve para informar, mas para encantar. A autora é a Cecília Meireles, mas a narradora é uma entidade de sua criação que universaliza seus sentimentos pela poesia.

Quem busca informação na literatura, ainda não busca a literatura. Ela até pode eventualmente informar, mas não é sua especificidade. Como explicar aquele homem voando, no conto do Gabo, a quem pensa que literatura é instrumento de informação?

Enterrados em sua circunstância material, nem todos se encantam com a beleza.

 

Da Carta Capital.  Menalton Braff.

Rio 2016 – Criando a Marca

Postado por: em ago 17, 2012 | Nenhum comentário

Super dica do meu amigo Daniel Gizo. Acompanhem o making of que a Tátil Design de Idéias generosamente compartilhou apresentando o desenvolvimento da marca Rio 2016.

CRÉDITOS:

Produção / Production : Mutante Filmes
Fotografia / Photography : Rodrigo Sampaio
Trilha sonora / Soundtrack : Pedro Bernardes

 

Sinhá – João Bosco e Chico Buarque

Postado por: em ago 16, 2012 | 4 comentários

 

SINHÁ

Se a dona se banhou
Eu não estava lá
Por Deus Nosso Senhor
Eu não olhei Sinhá
Estava lá na roça
Sou de olhar ninguém
Não tenho mais cobiça
Nem enxergo bem

Para que me pôr no tronco
Para que me aleijar
Eu juro a vosmecê
Que nunca vi Sinhá
Por que me faz tão mal
Com olhos tão azuis
Me benzo com o sinal
Da santa cruz

Eu só cheguei no açude
Atrás da sabiá
Olhava o arvoredo
Eu não olhei Sinhá
Se a dona se despiu
Eu já andava além
Estava na moenda
Estava para Xerém

Por que talhar meu corpo
Eu não olhei Sinhá
Para que que vosmincê
Meus olhos vai furar
Eu choro em iorubá
Mas oro por Jesus
Para que que vassuncê
Me tira a luz

E assim vai se encerrar
O conto de um cantor
Com voz do pelourinho
E ares de senhor
Cantor atormentado
Herdeiro sarará
Do nome e do renome
De um feroz senhor de engenho
E das mandingas de um escravo
Que no engenho enfeitiçou Sinhá

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João Bosco: violão e vocal
Chico Buarque: voz
Luiz Claudio Ramos: violões
Jurim Moreira: percussões
Armando Marçal: percussões

 

Beto Villares

Postado por: em ago 16, 2012 | Nenhum comentário

 

O produtor musical Beto Villares dispensa comentários para quem já é do meio. No entanto, vale compartilhar um pouco do que ele já fez:

– Trilha Sonora dos filmes  QUINCAS BERRO D’ÁGUA (2010) , ANO EM QUE MEUS PAIS SAIRAM DE FÉRIAS (2006) ANTONIA (2005) , CIDADE BAIXA (2005)

– Produção Musical do disco “Vagarosa”, segundo da cantora Céu e “Pelo Sabor do Gesto” da Zélia Duncan. Entre outros.

Ele também assina a produção musical da parte brasileira no encerramento das Olimpíadas 2012. Quer saber +, clica aqui.  Aproveite para ouvir (e ver) “O ano em que meus pais sairam de férias”.