Nossa Brasilidade: Arte, Filosofia e Espiritualidade.

Postado por: em jan 7, 2014 | Nenhum comentário

por Ruan Bessa

A arte é como criança pequena andando na rua, sempre está de mãos dadas. De um lado, os dedos da filosofia (no sentido amplo do termo) e do outro, os da espiritualidade. Afinal, não há arte que não esteja encharcada de um “jeitão” de olhar o mundo e que não seja expressão do espírito humano que está sempre Coram Deo.

 

A Carioca

A Carioca

 

É na mistura desses ingredientes que Pedro Américo chama atenção. Considerado um dos maiores nomes da história da cultura brasileira no final do século XIX, o pintor deixou símbolos que falam desta nossa brasilidade, com suas vivências e histórias, imbuídos no seu modo humanista de encarar a vida, cujos traços de “A Carioca”, nos remetem a época do Renascimento.

Pedro Américo

Pedro Américo

Entretanto, é na revista Concinnitas Arte Cultura?e Sociedade num artigo do Prof. Rafael Cardoso que está o que mais me chamou atenção a respeito do pintor. Ele comenta:

“Por enquanto, o que importa é registrar a consciência nítida que possuía o artista de estar engajado em um processo de produzir os símbolos do seu tempo”.

Tiradentes esquartejado

Tiradentes esquartejado

 

 

Independência ou Morte!

Independência ou Morte!

Bem ali, no breu das entrelinhas, se esconde um dos sentidos da arte de Américo. Assim é o espírito do homem, sempre expressando a Imago Dei quebrada, deseja que a vida seja vestida de valor e tenha significado. Afinal, “o desejo de eternidade” fez casa no finito.

O peso da poesia cristã

Postado por: em dez 20, 2013 | 1 comentário

 

Obra reúne poetas franceses convertidos ao cristianismo que tiveram influência aqui

por Rodrigo Petrônio*

 

Há diversas possibilidades de abordar a literatura. Na antologia O Rumor dos Cortejos: Poesia Cristã Francesa do Século XX, o poeta, pesquisador e tradutor Pablo Simpson optou por um recorte ousado, e, por isso mesmo, instigante.

rumordoscortejosBlog

No Brasil, alguns dos poetas que integram a coletânea foram assimilados à vertente espiritualista de Jackson de Figueiredo e Alceu Amoroso Lima. Além de traduzidos por Guilherme de Almeida, Mário Faustino e Carlos Drummond de Andrade, eram admirados por Murilo Mendes, Vinicius de Morais, Cecília Meireles e Tasso da Silveira, para ficar em alguns nomes de maior peso. De maneira difusa, ressoam na obra de poetas contemporâneos franceses, como Bonnefoy, Déguy e Jaccottet. A despeito disso, permanecem pouco conhecidos dos leitores do País.

 

Durante o século 20, o cristianismo não teve apenas uma função religiosa na França. Do humanismo integral de Maritain ao personalismo de Mounier, do neotomismo aos pensadores inspirados em Bergson, da renovação metafísica de Gilson, Marcel e Lavelle à hermenêutica de Ricœur, da fé agônica de Bernanos à teoria mimética de Girard, da filosofia da ação de Blondel ao ateísmo cristão de Bataille seus desdobramentos intelectuais foram muitos e profundos.

Em alguns poetas da antologia sobressai a voz confessional. É o caso de Péguy e Claudel, expoentes do catolicismo francês. A rusticidade do primeiro contrasta com o tom devocional e os versos bíblicos do segundo. Mas ambos condensam a experiência poética como uma celebração do mistério. Em outros autores, a cosmovisão cristã surge sob um véu quase panteísta. Em Pierre Emmanuel, ela surge na sacralização das imagens da natureza mescladas à mitologia e em Francis Jammes, nas belas paisagens vitrais.

Mas é da ambivalência estrutural entre sagrado e profano que surgem os pontos altos do livro: Jacob, Jouve, Reverdy, Lubicz-Milosz. É difícil delinear até que ponto as vertentes surrealista ou cubista, a que são associados Jacob e Reverdy, podem ser dissociadas de uma experiência visionária de inspiração religiosa. Em Jouve e Milosz, a descrença, transfigurada no templo profano da poesia, acaba se traduzindo em uma paradoxal possibilidade de acesso ao divino. Nisso parece residir um dos mistérios da condição humana, captado pelo cristianismo e enfatizado pelos poetas de todos os tempos e crenças: Deus só se revela na dúvida.

*RODRIGO PETRONIO É POETA, PROFESSOR DA FAAP, AUTOR DE PEDRA DE LUZ, VENHO DE UM PAÍS SELVAGEM (TOPBOOKS), ENTRE OUTROS – Resenha publicada originalmente em O Estado de S.Paulo. ESSE TEXTO NÃO REPRESENTA A OPINIÃO DO BLOG NOSSA BRASILIDADE, MAS É BEM VINDO PARA ENRIQUECER A PESQUISA SOBRE A POROSIDADE RELIGIOSA NA NOSSA CULTURA.

O livro a que o texto se refere, você pode encontrar aqui: saraiva.

 

RPM e os temas que você não ouviu.

Postado por: em dez 4, 2013 | 4 comentários

Ninguém percebeu, mas até o RPM cantou sobre Deus, Jerusalém, Templo, Cinismo, Vazio e Protestantismo Europeu. Faltou rima?

 

Serviria ao menos para vermos o lugar da religião no imaginário dos nossos compositores. E assim, driblando as imposições do gosto – o que tive de fazer especialmente aqui, por achar muito afetado o jeito de cantar do camarada – vamos perceber que as expressões e arquétipos da espiritualidade estão presentes na nossa música não litúrgica.

Os Discursos e as Vivências

Postado por: em nov 9, 2013 | 4 comentários

 

Até que ponto a fé do compositor afeta sua obra? Vinícius de Moraes e Maria Bethânia num estudo de caso.

Foram muitas as ocorrências de um discurso religioso, ou ao menos de algum tipo alusão a uma espiritualidade nas músicas selecionadas.

Brasil Pandeiro – Novos Baianos

Brasil Pandeiro – Novos Baianos

Postado por: em out 30, 2013 | 4 comentários

Quando a arte se mistura com a fé é o mesmo que dois braços de  rio se encontrando.

Diretamente do melhor disco brasileiro de todos os tempos, segundo a revista Rolling Stone, vamos ler e ouvir “Brasil Pandeiro”.